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Na ocasião, foram debatidas soluções tecnológicas para a convivência com a estiagem no Semiárido brasileiro 

 

Encontrar as soluções tecnológicas mais adequadas à convivência do Semiárido brasileiro com os períodos de estiagem prolongada, bem como de pós-seca, é uma das preocupações da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) do Senado Federal, que na manhã desta quarta-feira, dia 20, promoveu audiência pública para discutir o tema. A reunião atende a requerimentos do presidente do colegiado, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), e da senadora Lídice da Mata (PSB-BA).

 

Durante a audiência pública, senadores, especialistas e representantes de organismos governamentais que se dedicam ao estudo de técnicas que possam minimizar os efeitos da seca cobraram uma política de estado que privilegie medidas de natureza não emergencial, mas estruturantes. 

 

Foram convidados especialistas e representantes de organismos governamentais que se dedicam ao estudo de técnicas que possam minimizar os efeitos da seca, a exemplo da que ocorre este ano, considerada a maior dos últimos 50 anos. Estima-se que mais de um milhão de bovinos morreram de fome e sede. 

 

Participaram da audiência o diretor do Instituto Nacional de Semiárido (Insa/MCTI), Ignacio Hernán Salcedo; o presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Elmo Vaz Bastos de Matos; a representante do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), Raquel Pontes; e o pesquisador da Embrapa Semiárido, Jose Nilton Moreira.

 

Autora do requerimento para realização da audiência pública, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) afirmou que a garantia de uma convivência equilibrada e sustentável com a seca passa principalmente por políticas públicas mais consistentes para o Nordeste. Segundo ela, as ações e medidas que vêm sendo debatidas e aplicadas na região têm caráter exclusivamente emergencial.

 

Projetos 

 

A região do Semiárido brasileiro corresponde a uma área de quase um milhão de quilômetros quadrados — maior que o estado do Mato Grosso —, onde vivem 22 milhões de brasileiros espalhados por 1.133 municípios. A seca que prejudica lavouras e atrapalha a produtividade na região é considerada a pior dos últimos 50 anos. Representantes da Embrapa Semiárido e do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresentaram alguns projetos que vêm sendo empregados para garantir a produção agrícola sustentável no Nordeste, como o aproveitamento da água da chuva para irrigação e o incentivo a métodos produtivos por enxerto.

 

O superintendente da Sudene, Paes Landim,  observou que bons projetos, estudos e iniciativas se acumulam e citou exemplos de áreas com baixo índice pluviométrico como Israel, Qatar e parte da Califórnia (EUA)  que conseguiram superar o problema de baixa produtividade. Ele afirmou que o problema, na verdade, é a falta de vontade política.

 

“As soluções técnicas já foram apontadas, mas estamos na mesmice, quando as soluções já foram apontadas há muito tempo. Diagnósticos, estudos, pesquisas e caminhos nós temos à vontade, falta vontade de percorrê-los”, disse Paes Landim.

 

* Com informações da Agência Senado 
Foto: Pedro França/Agência Senado