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 Exposição fotográfica e palestra sobre “Pássaros no Semiárido brasileiro”   alertam para a necessidade de preservação das aves da Caatinga

 

O programa Semiárido em Foco, desta sexta-feira, dia 06 de dezembro, apresentará a Exposição Fotográfica “Pássaros no Semiárido brasileiro”, do fotógrafo Manuel Pedro Pereira e também um seminário sobre o tema “Ecologia e Conservação da Caatinga: Papel ecológico das aves como dispersoras de sementes”, com a pesquisadora bolsista do Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCTI), Vanessa Nóbrega Gomes.

 

A proposta da exposição fotográfica é sensibilizar a população para os valores estéticos e éticos inerentes à necessidade de preservação do bioma Caatinga. A exposição será lançada como uma das ações do programa Semiárido em Foco, e estará aberta à visitação no hall do auditório do Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCTI), em Campina Grande (PB), de segundas às sextas-feiras, nos horários de 8 às 17h. 

 

Esta exposição tem como objetivo apresentar a diversidade de pássaros no Semiárido brasileiro, com destaque para a singularidade de belezas ainda preservadas que fazem parte e enriquecem o patrimônio natural da região. Captadas pelas lentes do fotógrafo Manuel Pedro Pereira, nas proximidades do município de Campina Grande (PB), as imagens evidenciam a diversidade de pássaros que vivem de forma permanente ou temporária neste pequeno trecho de Caatinga, convivendo com os mais variados impactos negativos causados pelos seres humanos, a exemplo do desmatamento, tráfico e captura ilegais de espécies.

 

A ideia do fotógrafo é sensibilizar autoridades, meios de comunicação, estudantes e população em geral não apenas para estes aspectos estéticos que cada imagem representa, mas também pelos valores éticos inerentes à urgente necessidade de preservação do bioma Caatinga.

 

“Se somente num trecho a poucos quilômetros de casa encontrei toda esta riqueza, imagine o que temos em toda a região do Semiárido para ser fotografado. Amar a natureza, cuidar dela e preservá-la são três ações que todo cidadão consciente que vive e depende da Caatinga, hoje e sempre, precisa saber e praticar”, afirma Manuel Pereira.

 

O maior receio do fotógrafo é que as riquezas da biodiversidade da mata branca desapareçam sem nunca terem sido conhecidas, apreciadas, catalogadas e pesquisadas. Por esta razão, de forma obstinada, acampa em lugares estratégicos da Caatinga, à espera do momento mais oportuno para registrar surpreendentes exemplares de espécies deste importante bioma brasileiro. Como um dos resultados deste trabalho, esta exposição resulta de uma seleção de quarenta fotografias do seu acervo que, em parceria com o Insa, por meio do programa Semiárido em Foco, são expostas à sociedade e aos diversos públicos interessados no assunto. 

 

Papel ecológico das aves como dispersoras de sementes

 

A ecóloga Vanessa Gomes fará uma apresentação sobre a dispersão de sementes pelas aves que vivem na Caatinga. Ela explica que a dispersão de sementes consiste no deslocamento de diásporos para longe da planta-mãe. 

 

E que este processo pode ser mediado por agente abióticos, como o vento e a água, ou bióticos, como animais de diferentes grupos.

 

Entre os principais dispersores animais destacam-se as aves,  os morcegos, os répteis e as formigas que por meio deste processo promovem a regeneração natural em diversos  ecossistemas. Neste processo conhecido como zoocoria, que nada mais é do que a interação da planta com o animal, ambas as espécies se beneficiam, já que as plantas têm suas sementes dispersas e os animais recebem um retorno nutricional na forma de alimentação pelo fruto.

 

Vanessa Gomes, explica que “ a relação planta-animal tem profunda influência na  diversidade e na dinâmica da comunidade vegetal, sendo fundamental para a ecologia  reprodutiva da maioria das plantas, pois garantem a  sua permanência no ambiente”.

 

Durante sua graduação e mestrado a pesquisadora trabalhou com o tema de dispersão de sementes na Caatinga. Momento no qual realizou observações focais para identificar os dispersores, fez a capturas das aves em redes de neblina para coleta de sementes que passaram pelo trato digestivo dos animais, e avaliou  o comportamento germinativo destas sementes após serem consumidas pelas aves.

 

Sobre o fotógrafo 

 

Manuel Pedro Pereira (conhecido como “Manú”) é fotojornalista e conservacionista, natural de Campina Grande (PB). Por vários anos atuou na imprensa do sudeste do país e tem trabalhos publicados em veículos nacionais como Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Correio Brasiliense, Correio da Paraíba, Jornal da Paraíba, além de uma vasta colaboração com a imprensa sindical de vários estados da federação.

 

Sobre a ecóloga

 

Vanessa Gabrielle Nobrega Gomes, é bacharel em ecologia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e  mestre em Biologia Vegetal pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atua na área de Ecologia Vegetal com ênfase em comunidades vegetais da Mata Atlântica e Caatinga, interação planta-animal,fenologia reprodutiva, polinização, dispersão de sementes e germinação. Atualmente ela é pesquisadora bolsista do Insa/MCTI. 

 

Texto : Ascom Insa/MCTI