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As famílias do Assentamento Vitória, na zona rural de Campina Grande (PB), a cerca de 120 quilômetros de João Pessoa, comemoraram na última terça-feira (11), a conquista da segurança hídrica das 38 famílias da comunidade com a conclusão da primeira fase de implantação da Unidade Demonstrativa de Pesquisa do Projeto Águas. O projeto é uma iniciativa do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e estuda tecnologias de captação de água de chuvas e reúso em comunidades rurais do Semiárido em situação de vulnerabilidade hídrica. 

 

A primeira fase do projeto implantado no Assentamento Vitória consiste em um sistema de abastecimento de captação e armazenamento de água de chuva, que já acumula as primeiras chuvas do ano. A cisterna do tipo calçadão tem capacidade para armazenar 300 mil litros de água e conta com sistemas de tratamento e bombeamento movidos a energia solar. Para o calçadão da cisterna, a área de captação de águas pluviais (da chuva), foram aproveitados 600 metros quadrados do piso de um antigo galpão.

 

Duas caixas d’água suspensas, localizadas ao lado da cisterna e com capacidade para aproximadamente 50 mil litros cada uma, passarão por manutenção para armazenar a água, que passará por um processo de tratamento com filtro de disco associado a um sistema de desinfecção através dos raios ultravioletas, que será implantado com assessoria da Assessoria de Grupo Especializada Multidisciplinar em Tecnologia e Extensão (Agemte), uma das entidades que prestam assessoria a assentamentos da reforma agrária na Paraíba. 

 

O próximo passo, que deve ser concluído até fevereiro de 2016, é a implantação de um sistema de esgotamento sanitário e de reúso de água que irá disponibilizar esgoto tratado para a produção de forragem animal. De acordo com o diretor substituto do Insa, o pesquisador Salomão de Sousa Medeiros, o principal objetivo do Projeto Águas é unir pesquisa científica, inclusão social e participação popular. “Os assentados são os verdadeiros protagonistas do projeto. Toda a infraestrutura da Unidade Demonstrativa implantada no Assentamento Vitória foi construída com mão de obra da comunidade, que participou do projeto de pesquisa desde sua concepção até a execução das obras”, afirmou Medeiros.

 

O Núcleo de Recursos Hídricos do Insa pretende instalar uma Unidade Demonstrativa do Projeto Águas em cada um dos nove estados que compõe o Semiárido brasileiro, tomando por referência os estudos realizados no Assentamento Vitória, que servirá como unidade piloto. 

 

Mudança de vida 

 

Com a estiagem dos últimos anos e sem fácil acesso a água de qualidade, a comunidade havia deixado de produzir e, atualmente, dedica-se principalmente à criação de pequenos animais. A água salobra – com salinidade intermediária entre a água do mar e a água doce – do açude mais próximo pode ser a responsável pelo grande percentual de assentados com mais de 50 anos com problemas de hipertensão identificado pelo diagnóstico socioeconômico realizado pelo Insa no Assentamento Vitória. 

 

O presidente da Associação dos Moradores do Assentamento Vitória, Severino Miguel Cordeiro, 59 anos, disse que a água será utilizada principalmente nos períodos mais críticos da estiagem. “Às vezes fico pensando como conseguimos isso. Juntamos as mãos e conseguimos chegar lá. Mas, sem a assistência do Insa, da Coonap e do Incra não teríamos alcançado isso”, afirmou o assentado, acrescentando que antes precisava andar até quatro quilômetros para encontrar água potável. 

 

Para a vice-presidente da associação, Maria de Fátima Sobreira, 58 anos, conhecida como Dona Lica, era difícil acreditar que a situação de insegurança hídrica da comunidade pudesse acabar. “Eu me sinto com o primeiro passo dado. Antes nada dava certo, me sentia sem as duas pernas. Agora, com essa água na porta, eu digo que acredito sim”, disse. 

 

Os assentados do Assentamento Vitória foram capacitados pelo Insa para manter os benefícios alcançados pela execução do projeto quando o período de pesquisa terminar. Para isto, foram instaladas três comissões permanentes, cada uma com oito integrantes de todas as faixas etárias: Infraestrutura, Gerenciamento e Uso da Água e Limpeza e Manutenção. 

 

Parcerias 

 

O Projeto Águas conta com o apoio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-PB), por intermédio da Assessoria Técnica, Social e Ambiental (Ates) promovida pela Cooperativa de Trabalho Múltiplo e Apoio às Organizações de Autopromoção (Coonap), e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IFBaiano). 

 

A recuperação da rede de energia elétrica do assentamento, indispensável à implantação do projeto, contou com a parceria da Energisa (distribuidora de energia elétrica com atuação na Paraíba). 

 

Em agosto de 2013, em Campina Grande (PB), o presidente do Incra, Carlos Guedes, e o diretor do Insa, Ignacio Hernán Salcedo, firmaram um acordo de cooperação técnica para o desenvolvimento de ações de capacitação envolvendo o tema da desertificação, gestão ambiental e manejo sustentável do solo em zonas áridas, captação de água, sistema de produção de palma forrageira e ainda a implantação de unidades demonstrativas em cada estado do Semiárido brasileiro, com enfoque na educação e na transferência de tecnologias.

 

Inauguração do biodigestor 

 

Também foi inaugurado na última terça-feira (11) o biodigestor implantado no Assentamento Vitória com a orientação da equipe da Coonap, contratada pelo Incra-PB para prestar assistência técnica aos assentamentos da região. A partir do esterco produzido pelo rebanho bovino da comunidade, a tecnologia social de baixo custo está produzindo biofertilizante e gás para a cozinha comunitária da sede do assentamento, onde um grupo de seis mulheres assentadas produz bolos como uma alternativa de renda não-agrícola para os períodos de estiagem.

 

Texto: Ascom do Incra/PB

* Com informações da Assessoria de Comunicação do Insa/MCT