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Jatobá, uma das espécies utilizadas na pesquisaJatobá, uma das espécies utilizadas na pesquisa

Um pesquisa recente publicada por pesquisadores do Núcleo de Bioprospecção e Conservação da Caatinga (NBioCaat), rede de pesquisadores articulada pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCTIC) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) comprova o potencial de mais plantas do Semiárido brasileiro na produção de fármacos.

 

Neste estudo foi comprovada a ação dos óleos essenciais extraídos das folhas de três plantas encontradas na região contra patógenos causadores da candidíase, Candida albicans, Candida glabrata, Candida krusei, Candida parapsilosis e Candida tropicalis. As investigações foram realizadas utilizando as espécies: jatobá (Hymenaea courbaril), o bálsamo (Myroxylum peruiferum) e o lacre (Vismia guianensis)

 

A pesquisa

 

O trabalho investigou a atividade dos óleos essenciais extraídos das folhas do jatobá, do lacre e do bálsamo coletadas no Parque Nacional do Catimbau, em Buíque (PE). Foram realizados testes com as cinco principais espécies de fungos existentes. O estudo provou que os três óleos essenciais foram capazes de “matar” os micro-organismos.

 

De acordo com o pesquisador do NBioCaat, Alexandre Gomes, esta é a primeira vez que a propriedade dos óleos essenciais do jatobá, bálsamo e lacre contara o fungo é relatada. “É um dado importante para espécies nativas da Caatinga porque pode agregar valor às plantas e abre uma perspectiva para desenvolvimento de arranjos produtivos com estas espécies”, diz o pesquisador.

 

A pesquisa também mostrou que um total de 62 compostos foram identificados nos óleos essenciais, sendo os sesquiterpenos (agentes de defesa) os mais representativos. Os compostos trans-cariofileno, δ-cadineno e óxido de cariofileno foram encontrados nas três espécies, tais substâncias e apresentam ação antimicrobiana.

 

Ainda de acordo com pesquisador, estudos complementares se fazem necessários para compreender os possíveis mecanismos de ação dos óleos essenciais, bem como a toxicidade e segurança do uso desses óleos em ensaios com animais.

 

A enfermidade

 

A Candidíase é uma infecção causada por fungos de qualquer espécie do gênero Cândida.  A doença pode se manifestar nos seres humanos na forma oral e genital.

 

Na candidíase oral  o sintoma mais evidente é a presença de manchas brancas na língua ou em outras partes da boca, bem como da garganta. A boca pode também apresentar-se doorida e dificuldade para engolir.

 

Já na candidíase vaginal, entre os sinais e sintomas  estão prurido e irritação vaginais e, por vezes, um corrimento vaginal branco. Ainda que de forma menos comum, o pênis pode também ser afetado causando prurido. Esta infeção, raramente, pode tornar-se invasiva e espalhar-se por todo o corpo, causando febre e outros sintomas que dependem das partes afetadas.

 

A doença pode ser causada por mais de vinte espécies de Cândida, um tipo de levedura, dos quais a Candida albicans é o mais comum. As infeções da boca são mais comuns entre crianças com menos de um mês de idade, idosos e pessoas com debilidade imunitária. Entre as condições que causam esta debilidade estão a  Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/AIDS), os medicamentos usados em transplante de órgãos, diabetes e o uso de corticosteroides.

 

Entre outros fatores de risco estão o uso de próteses dentárias e o uso de antibióticos. As infeções vaginais ocorrem com maior frequência durante a gravidez, em pessoas com debilidades imunitárias e que estão fazendo tratamento com antibióticos. Os fatores de risco para que a infeção se espalhe pelo corpo incluem estar presente numa unidade de cuidados intensivos, o período pós-cirurgia, recém-nascidos com pouco peso e pessoas com sistema imunitário debilitado.

 

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Texto: Ascom do Insa
Com informações de Alexandre Gomes
Foto:Bento Viana