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No último dia 05 de março, a comunidade Campo das Emas (Caturité, PB) recebeu os pesquisadores do Núcleo de Desertificação e Agroecologia do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) para um dia de oficinas e debates sobre as potencialidades do cultivo da Pitaia (Hylocereus undatus) para o Semiárido brasileiro.

As atividades representaram mais uma das ações do projeto Saberes no Semiárido: Transforma e contaram com a participação de professores e alunos do 9º ano da Escola Rural Maria Verissimo de Sousa, além de membros da Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Cacimbas (APROCIMA) e agricultores locais, que se reuniram na estância providenciada pelo Prof. Dr. Jonas Duarte, que realiza seu pós-doutorado no INSA.

 No local, o grupo de pesquisadores coordenado pelo Dr. Aldrin Martin Pérez-Marin realizou uma rodada de apresentações e definiu a metodologia para o dia de trabalho: pela manhã, todos participariam de oficinas prática de plantio de Pitaia, enquanto a tarde seria dedicada ao conteúdo teórico oferecido pelos membros do Núcleo de Desertificação e Agroecologia. A turma foi então dividida em quatro grupos e trabalho e encaminhada para o terreno onde a oficina prática seria realizada.

 

De posse das mudas de Pitaia e dos equipamentos necessários, cada grupo dedicou-se à marcação coletiva da área de plantio, seguida pela disposição das estacas e pela perfuração de cerca de 50 “berços”, um a cada dois metros quadrados (2 m²). Ao cabo de duas horas as mudas estavam devidamente plantadas e resguardadas com a palha seca recolhida no terreno.

 

Plantio das mudas de Pitaia no Campo das EmasPlantio das mudas de Pitaia no Campo das Emas

 

A comunidade do Campo das Emas está localizada no Núcleo de Desertificação do Cariri, região cujo solo registra níveis de degradação elevados à moderados. Por esta razão, o momento prático também foi reservado ao compartilhamento de técnicas sustentáveis de conservação por parte dos pesquisadores do INSA. O agroecólogo David Marx explicou como funciona o plantio de Nucleação, técnica utilizada para ajudar as plantas a reter nutrientes e água no solo, estendendo sua fertilidade. Em seguida, com o também agroecólogo Lucas Brás os alunos da Escola Rural aprenderam a montar um sistema Irrigás, modelo básico de irrigação à base de velas de filtro, areia fina inorgânica, mangueiras e garrafas PET desenvolvido pela Embrapa. Ao final da manhã, as mudas restantes foram conduzidas à estufa do local e guardadas para experiências futuras.

 

De volta à Estância, o Dr. Aldrin Martin reuniu todos os participantes da oficina para a primeira aula teórica sobre a Pitaia. Falou da origem e das características biofísicas da espécie, suas formas e técnicas de reprodução agroecológicas, e encerrou pontuando os potenciais econômicos da Pitaia no Semiárido, região do Brasil em que a planta tem maior variedade, mas cuja utilização comercial ainda é limitada quando comparada, por exemplo, às regiões Sul e Sudeste, que juntas concentram 88% da produção nacional.

 

Aula teórica à comunidade, ministrada pelo pesquisador Aldrin MartinAula teórica à comunidade, ministrada pelo pesquisador Aldrin Martin

 

Na segunda aula da tarde, o agrônomo e pesquisador do INSA Alysson Lima discursou sobre os ciclos de pólen excedente da espécie e pautou a importância da polinização artificial no seu cultivo. Complementando a fala do Dr. Aldrin, listou alguns produtos derivados da Pitaia e aventou a possibilidade de criação de fundos rotativos para a reprodução da espécie no Semiárido. Na discussão que sucedeu à esta fala, o veterinário e produtor Otaviano Carneiro da Cunha, que pesquisa o comportamento e manejo de abelhas, ilustrou a reflexão com um comentário sobre a potencialidade do pólen de Pitaia para a apicultura e citou sua experiência bem sucedida com as abelhas do tipo Jandaíra (Melipona subnitida), espécie endêmica no Semiárido brasileiro.

 

Por fim, na terceira e última aula o pesquisador David Marx apresentou métodos de análise da saúde dos solos, importantes para o monitoramento dos plantios de Pitaia e demais espécies do Semiárido. Segundo o agroecólogo, a técnica conhecida como Cromatografia de Pfeiffer pode ser regularmente utilizada para monitorar os níveis de fertilidade de maneira ampla e multidimensional, em observância aos aspectos físicos, químicos e biológicos do solo.

 

Em mais um dia de pesquisa popular e participativa, os cientistas do INSA buscaram sintetizar os saberes técnicos e acadêmicos com as observações empíricas dos alunos e professores presentes, eles próprios produtores rurais nas cercanias. O estudante Ismael Duarte, de apenas 14 anos, comprometeu-se em levar os aprendizados adquiridos para o sítio Malhada e tentar reproduzi-los junto ao pai, com assistência periódica do INSA. Os representantes da APROCIMA Leonardo Saulo e Juliana Silva disseram-se bastante satisfeitos com o dia de campo, além de dispostos a apresentarem a Pitaia aos agricultores membros da associação. Para a técnica em agroecologia Maria de Lourdes, professora voluntária da Escola Rural, “será muito importante mostrar para os alunos que existe uma planta que se dá bem no nosso solo, e que poderá dar sustento aos que se interessarem no seu cultivo”.

 

O Núcleo de Desertificação e Agroecologia do INSA retorna à comunidade Campo das Emas em abril para reencontro com os participantes da oficina e documentação dos resultados obtidos com o plantio e distribuição de mudas de Pitaia. Assim, o projeto Saberes no Semiárido: Transforma cumpre mais uma etapa da sua missão de articular momentos sinérgicos para o progresso sustentável da região e leva o emblema do Instituto Nacional do Semiárido ao conhecimento das futuras gerações, contribuindo em seu processo de territorialização.

 

Texto: Daniel Magalhães



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