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Promover a articulação entre atores sociais em prol do progresso sustentável do Semiárido é uma das principais missões do INSA e dos seus diversos Núcleos de Pesquisa. Com este desafio em mente, o Núcleo de Desertificação e Agroecologia coordena o projeto Saberes no Semiárido: Transforma, que desde o ano passado desenvolve atividades de pesquisa participativa em comunidades e territórios rurais de cinco estados do SAB, sempre em parceria com instituições atuantes em cada região.

 

Neste início de ano tivemos bons exemplos desta colaboração nos territórios piauienses do Vale dos Guaribas e do Vale da Chapada do Itaim, que integram o mapa de agroecossistemas resilientes do Projeto. Segundo o pesquisador responsável pela região, o geógrafo Afonso Galvão, a articulação com instituições locais revelou-se fundamental para o processo de seleção das famílias camponesas que participarão do Projeto

 

Figura 1. Plantio de palma doce na propriedade (agroecossistema) do Sr. Francisco Geraldo de Carvalho, na comunidade Riachão, Itainópolis - PI.Figura 1. Plantio de palma doce na propriedade (agroecossistema) do Sr. Francisco Geraldo de Carvalho, na comunidade Riachão, Itainópolis - PI.

 

Durante o mês de janeiro e início de fevereiro Afonso reuniu-se com a Associação dos Pequenos Agricultores do Estado do Piauí (APAESPI), a Associação de Moradores e Pequenos Produtores do Estado do Piauí (AMPPEPI) e a Associação Piauiense da Agricultura Camponesa (APAC), todas membros do Plano de Investimento Produtivo do Estado e responsáveis por produções nas áreas de ovino e caprinocultura, apicultura, mandiocultura e quintais produtivos. Através dos encontros, as instituições propuseram a indicação de dez (10) famílias divididas em pares entre os municípios de Queimada Nova, Geminiano, Jaicós, Itainópolis e Picos. Em comum, o fato de que todas eram beneficiárias de projetos em andamento, tais como o Semiárido Produtivo e o Viva o Semiárido, que envolvem diversas instituições públicas, organizações não governamentais (ONGs) e fundos de investimento tanto nacionais quanto estrangeiros.

Figura 2. Hortaliças e frutas no lote (agroecossistema) da Senhora Isabel Maria, no Assentamento União, Geminiano - PI.Figura 2. Hortaliças e frutas no lote (agroecossistema) da Senhora Isabel Maria, no Assentamento União, Geminiano - PI.

 

 

De acordo com Afonso Galvão, o projeto Semiárido Produtivo, executado em cinco estados do Nordeste pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), atualmente beneficia cerca de 100 famílias piauienses com capacitações e investimentos individuais e coletivos, como fábricas de ração, agroindústrias de beneficiamento de frutas, galinheiros, hortas e apriscos, contando também com a parceria das associações do Plano de Investimento Produtivo. Já o projeto Viva o Semiárido, de caráter estadual, é executado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural do Governo do Piauí e cofinanciado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), que juntos beneficiam 86 municípios através de mais de 200 projetos produtivos nas mais diversas áreas.

 

Deste modo, o projeto Saberes no Semiárido: Transforma se insere numa ampla rede colaborativa e trabalha para reunir os melhores esforços pelo desenvolvimento do Semiárido. Com a indicação e seleção das famílias “experimentadoras” ou “multiplicadoras”, abre-se um caminho de ricas experiências neste sentido, tal como já se pôde observar nas primeiras visitas do pesquisador do INSA às suas comunidades e seus agroecossistemas. Segundo relata Afonso Galvão, há nestes espaços uma grande pluralidade de atividades produtivas que vão desde a criação de aves, suínos, bovinos, ovinos e caprinos, ao trabalho com grãos, hortaliças, frutas e sementes. Afonso observa também a importância do impulsionamento dessas atividades através de projetos Viva o Semiárido e Semiárido Produtivo.

 

Figura 3. Visita ao campo de produção de palma forrageira (tipo orelha de elefante mexicana) da Fazenda Novo MilênioFigura 3. Visita ao campo de produção de palma forrageira (tipo orelha de elefante mexicana) da Fazenda Novo Milênio

 

Entre as visitas narradas pelo pesquisador, destacamos a experiência no campo de palma da Fazenda Novo Milênio, única no Estado a possuir o Registro Nacional de Sementes e Mudas do Ministério da Agricultura (RENASEM). Com uma área de 8 hectares de palma forrageira adensada e irrigada por gotejamento, a fazenda é pioneira na produção de variedades resistentes à cochonilha do carmim, praga que já atingiu palmais em todo Nordeste. Assim, o compartilhamento destes conhecimentos entre produtores e pesquisadores, famílias e comunidades do Projeto trazem em si uma cadeia de avanços na segurança alimentar animal, na produção de carne e laticínios, gerando alimento e renda para milhares de famílias do Semiárido e além.

 

Figura 4. Assembleia Extraordinária do Território do Vale dos GuaíbasFigura 4. Assembleia Extraordinária do Território do Vale dos Guaíbas

 

Entre esta experiência e tantas outras, o projeto Saberes no Semiárido: Transforma vai arregimentando ao redor do INSA cada vez mais parceiros, ao passo em que contribui para reforçar a rede de sabedorias agroecológicas orientadas pelo paradigma da convivência. As atividades do primeiro bimestre se encerraram com a apresentação do projeto na Assembleia Extraordinária do Território do Vale do Guaribas, na cidade de Picos, e agora seguem pelo mês de fevereiro divulgando os planos do Núcleo de Desertificação e Agroecologia em outras assembleias, reunindo autoridades de estado, associações, cooperativas e sindicatos de trabalhadores rurais. Em todas estas oportunidades, o Instituto Nacional do Semiárido se mostra presente e firma seu nome na articulação pelo progresso sustentável do Semiárido brasileiro.

 

Texto: Afonso G. Galvão
Daniel L. Magalhães
Aldrin M. Perez-Marin

 



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