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O Núcleo de Desertificação e Agroecologia do INSA, vem dedicando-se à obtenção de dados, informações e conhecimentos quali-quantitativos sobre as potencialidades e o desempenho de sistemas agroecológicos familiares para o combate à desertificação e mudanças climáticas. Orientado pelo paradigma da convivência com a semiaridez, estas pesquisas observam a gestão e o uso sustentável de recursos (solos, plantas, água, animais e suas interconexões) por parte de famílias da região, projetando, a partir de tais práticas, iniciativas que valorizem os ativos socioeconômicos e ambientais de cada localidade. Com isto, objetiva-se a articulação e viabilização de soluções interinstitucionais voltadas à pesquisa popular participativa, à formação humana e à difusão informacional, bem como ao subsídio a políticas públicas comprometidas com o desenvolvimento sustentável do Semiárido brasileiro.

 

Nesta perspectiva, e visando reforçar o papel articulador do INSA e a importância da Agroecologia para o aperfeiçoamento dos sistemas agroalimentares do Semiárido, em 2019 os esforços do Núcleo concentraram-se na articulação, estruturação e implementação do projeto “Saberes 10.0 no Semiárido: Transforma”, uma iniciativa nascida a partir da necessidade de reconhecimento da rica memória biocultural sertaneja e sua relevante contribuição histórica para a alimentação brasileira.

 

Saberes 10.0 no Semiárido: Transforma tem como objetivo a convergência de ações, processos e produtos da pesquisa participativa em proveito das famílias camponesas do Semiárido, promovendo com isto o fortalecimento dos seus sistemas produtivos e a sustentabilidade na convivência com o clima regional, desafio permanente e gradual das instituições públicas e da sociedade civil frente ao contexto de graves mudanças climáticas.

 

Deste modo, entre as principais atividades realizadas em 2019 destacamos o processo de construção e implementação do projeto Saberes 10.0 no Semiárido: Transforma, apresentado no diagrama abaixo (Figura 1):

 

Figura 1. Processo participativo implementado para a construção do projeto Saberes 10.0 no Semiárido: TransformaFigura 1. Processo participativo implementado para a construção do projeto Saberes 10.0 no Semiárido: Transforma

 

Inicialmente foram identificados territórios e atores institucionais que trabalham com o tema de convivência com a semiaridez. Em seguida, foram reconhecidas e reunidas lideranças comunitárias e famílias que já são atendidas por estes atores, o que precipitou no processo de auto-reconhecimento enquanto Organização-projeto e de declaração de identidade (missão, visão, princípios, objetivos e processos metodológicos a nível de territórios e coletivos de base em seis territórios de 05 estados que integram o SAB) (Figura 2).

 

Atualmente, o projeto encontra-se na fase de articulação das comunidades e das famílias .

 

Figura 2. Mobilização de lideranças e famílias durante o processo de auto-reconhecimento como Organização-projeto e declaração de identidadeFigura 2. Mobilização de lideranças e famílias durante o processo de auto-reconhecimento como Organização-projeto e declaração de identidade

 

A partir de setembro de 2019 o projeto passou atuar em territórios dos Sertões de Sergipe, Bahia, Piauí, Pernambuco e Paraíba, como mostra a figura abaixo:

 

Figura 3 Mapa do semiárido brasileiro, destacando com círculo os estados de atuação do projeto Saberes 10.0 no Semiárido: Transforma, ressaltando dados sociais e ambientais do semiárido.Figura 3 Mapa do semiárido brasileiro, destacando com círculo os estados de atuação do projeto Saberes 10.0 no Semiárido: Transforma, ressaltando dados sociais e ambientais do semiárido.

 

Em cada Estado o projeto Saberes 10.0 no Semiárido: Transforma reúne uma equipe transdisciplinar (figura 4) formada por pesquisadores e famílias locais ansiosas por conhecimento útil, harmonioso e multiplicável. Estes grupos de famílias, que aqui chamaremos de famílias “João-de-Barro”, estarão empenhadas no estudo dos seus territórios a partir da ciência, tecnologia, inovação e comunicação, bem como na consolidação destes estudos em experiências produtivas.

 

Figura 4 Estrutura organizativa do projeto Saberes 10.0 no Semiárido: TransformaFigura 4 Estrutura organizativa do projeto Saberes 10.0 no Semiárido: Transforma

 

 As famílias João-de-Barro trabalharão dentro de um ou mais eixos temáticos propostos a partir da experiência e da necessidade de cada comunidade, tais como manifestadas através dos encontros participativos. Estima-se que cada família camponesa de referência gere um efeito multiplicador sobre, em média, mais cinco famílias de sua comunidade, o que será facilitado pela articulação do projeto com parceiros interessados na iniciativa e pela disponibilização de recursos, instrumentos e infraestruturas agroecológicas advindos destas parcerias.

 

Assim, as famílias João de Barro servirão como células referenciais para criação e implantação de Pequenas Unidades Funcionais de Pesquisa (PUFP), de onde serão geradas pesquisas acadêmicas vinculadas ao saber popular e capazes de estruturar Espaços Científicos de Pressão (ECP), ou seja, espaços voltados ao intercâmbio de inovações tecnológicas e estratégias agroecológicas, informacionais, políticas, culturais e econômicas de convivência com a semiaridez. O processo para fortalecer a infraestrutura ecológica de cada PUFP encontra-se assim descrito:

 

Figura 5 Processo metodológico para implementação das “Pequenas Unidades Funcionais de Pesquisa” (PUFP)Figura 5 Processo metodológico para implementação das “Pequenas Unidades Funcionais de Pesquisa” (PUFP)

 

Deste modo, estima-se que o projeto Saberes 10.0 no Semiárido: Transforma venha a atender 50 famílias diretamente e 40 famílias indiretamente, conforme o quadro abaixo:

 

Estado

Territórios

Famílias Camponesas

Famílias João-de-Barro

Unidades de referência

Paraíba

Cariri Ocidental

5

10

10

Pernambuco

Sertão Pernambucano

5

10

10

Sergipe

Alto Sertão Sergipano

5

10

10

Bahia

Centro-norte

5

10

10

Piauí

Vale Guaribas

5

10

10

Piauí

Vale da Chapada do Itaim

5

10

10

Total

  40

50

50

 

Considerando os objetivos do Projeto e a realidade de cada território em que este se insere, seus 4 meses iniciais devem ser compreendidos como uma fase de preparações e adaptações práticas. Neste período verificou-se, por exemplo, a necessidade de integrar-se a diversas atividades que já estavam em andamento nas comunidades, mas que não figuravam no primeiro plano de trabalho.

 

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 As visitas realizadas permitiram trazer para o âmbito do Projeto novas concepções que dialogam com os princípios da educação popular e da pesquisa-ação, razão pela qual consideramos a necessidade de aperfeiçoamento gradual dos métodos de aproximação, inserção e diálogo. Em muitos casos, processos previstos no escopo do nosso projeto e que compõem seus objetivos centrais podem já ser protagonizados por organizações locais, de modo que cumpre afirmá-las como parceiras diretas ou indiretas, sobretudo quando as atividades propostas lidam diretamente com as famílias. 

 

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Assim, é importante afirmar que as ações iniciais do projeto Saberes 10.0 no Semiárido: Transforma objetivam: construir relações; apresentar o projeto em cada região; aprofundar o olhar e a reflexão sobre a realidade atual do campesinato; interagir e se inserir na dinâmica de processos já existentes. Com isto, evitamos uma programática isolada e pouco eficaz, uma vez que insensível aos fatores nem sempre objetivos que envolvem o processo de seleção das famílias e a integração destas às pesquisas.

 

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Perspectivas para 2020

 

Neste ano, o projeto tem como meta central a geração de dois produtos: uma cartografia social dos territórios participantes e uma imersão quali-quantitativa nos sistemas camponeses de produção de cada comunidade. Com estes resultados, esperamos que brote, floresça e frutifique um plano de Pesquisa e Ação orientado às temáticas conjunturais do Semiárido brasileiro para o século XXI, tais como adaptação às mudanças climáticas, soberania energética, hídrica, alimentar e tecnológica. A atual conjuntura socioambiental da região é crítica e há urgência por caminhos novos e possíveis para a construção do Bem Viver sertanejo. 

 

Ainda numa perspectiva de balanço geral dos primeiros meses de trabalho, e olhando para o conjunto das atividades em que estivemos inseridos, podemos afirmar que vários são os acúmulos que ficam para as etapas seguintes: desde a aproximação com comunidades/famílias camponesas até a articulação de uma rede de colaboradores para o projeto de pesquisa, temos desde já uma base prática promissora para materializar o plano de trabalho já atualizado sob a égide das metas para 2020.

 

Núcleo de Agroecologia e Desertificação

Ascom do Insa

 

 

 

 

 

 

 

 



 



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