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Cápsulas do fármaco desenvolvido para tratamento de taxas elevadas de colesterolCápsulas do fármaco desenvolvido para tratamento de taxas elevadas de colesterol

 

Pesquisas do Curso de Farmácia da UEPB usa palma forrageira e sisal para tratar lesões cutâneas e reduzir colesterol. A primeira pesquisa, intitulada “Filmes de Celulose Extraída da Palma Forrageira contendo derivado N-acilidrazônio para o tratamento de lesões cultâneas”, utiliza palmas cultivadas na unidade experimental do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e nos palmares de Monteiro.

 

O verde que brota no solo do Sertão, Cariri, Agreste e Cumimataú paraibano ganha forma, nova cor e outras utilidades no Laboratório de Desenvolvimento e Caracterização de Produtos Farmacêuticos (LDCPF) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Resistente ao sol e às intempéries climáticas, a palma forrageira e o agave não servem apenas como alimento alternativo para o gado em tempos de seca. Os dois vegetais, disponíveis abundantemente no semiárido nordestino, podem ser usados com fins medicinais.

 

Uma pesquisa desenvolvida por alunos e professores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF) e do Departamento de Farmácia da UEPB tem testado o uso da palma e do agave para tratar lesões de pele e, até mesmo, reduzir a taxa de colesterol no sangue. A pesquisa, coordenada pelo professor Bolívar Ponciano Damasceno, é financiada com recursos da Chamada Universal do CNPq e do PROPESQ UEPB, e já rendeu duas teses de Mestrado. Atualmente, dois trabalhos usando os mesmos produtos estão em pleno andamento.

 

A primeira pesquisa, intitulada “Filmes de Celulose Extraída da Palma Forrageira contendo derivado N-acilidrazônio para o tratamento de lesões cultâneas”, utiliza palmas cultivadas na unidade experimental do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e nos palmares de Monteiro. No Laboratório localizado no Complexo Integrado de Pesquisa Três Marias, no Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), no Câmpus de Bodocongó, a palma vira uma substância que pode ser preciosa para a saúde. Da planta é extraída a celulose, que pode servir para vários benefícios na área farmacêutica, como excipientes. A equipe do professor Bolívar optou por usar a celulose para produzir o filme polimérico com a finalidade de usá-lo como meio cicatrizante de feridas ou queimaduras.

 

Para extrair a celulose, a palma passa por várias etapas, incluindo o processo de secagem e pureza da planta. O primeiro passo é triturar a droga vegetal e inserir nela vários produtos que retiram as substâncias que não sejam celulose. Após ser triturada, a substância verde se transforma no acetato de celulose, utilizado na preparação dos filmes poliméricos. A estes filmes são incorporadas substâncias ativas para exercer a sua eficácia, como é o caso da molécula conhecida por JR-19, desenvolvida pela equipe do professor do Departamento de Farmácia, Ricardo Olímpio de Moura, até chegar ao produto final.

 

O mestrando Amaro César Lima de Assis, que está à frente da pesquisa, revela que os primeiros resultados colhidos no laboratório surpreenderam a equipe. “Esses filmes desenvolvidos passam por todo um processo de caracterização para garantir que realmente o sistema a ser desenvolvido contém essencialmente a celulose extraída da planta. Esse processo é bastante inovador e nossa Universidade é pioneira no uso desta planta com essa finalidade”, observou Amaro César.

 

Amaro, que é graduado em Farmácia pela UEPB, destacou que o objetivo final da pesquisa é formar um sistema em que o fármaco incorporado tenha uma liberação prolongada para poder passar mais tempo em contato com a pele e diminuir o incômodo dos ferimentos. Por enquanto, o uso da planta para acelerar o processo de cicatrização de ferimentos foi testada apenas em animais, mas a pretensão da equipe é, futuramente, fazer testes clínicos em humanos. Essa parte, considerada a mais ousada da pesquisa, só será possível fazer a partir de parcerias com outras instituições e financiamentos.

 

“O principal foco do nosso laboratório é desenvolver o produto. Os testes pré-clínicos e clínicos são feitos em parceria com outros laboratórios”, observou Bolívar. O professor enfatizou que a pesquisa pode dar grande contribuição para a ciência, uma vez que vai facilitar o tratamento de pessoas que estão com feridas e queimaduras. Ele disse que um dos objetivos do trabalho é agregar valor a um produto nordestino resistente a seca e chuva.

 

Agave usado na redução do colesterol



Dentro do Laboratório de Desenvolvimento e Caracterização de Produtos Farmacêutico da UEPB, a pesquisa desenvolvida pela estudante Larissa Pereira tem metas ousadas que podem, no futuro, revolucionar a medicina. Utilizando o sisal, a pesquisa, orientada pelo professor Bolívar Ponciano, visa derrubar as taxas de colesterol no sangue e, consequentemente, diminuir os riscos de acidente vascular cerebral (AVC) e outros desfechos cardiovasculares.

 

A pesquisa “Micropartículas de acetato de celulose sintetizado a partir de Agave oriundo do semiárido brasileiro para a obtenção de sistema de liberação controlada da sinvastatina” utiliza a celulose extraída do agave, também conhecida como sisal. Ela é inicialmente transformada em microemulsão para, posteriormente, ser transformada em micropartículas. O produto passa por um processo de secagem em um equipamento chamado Spray-dryer, restando apenas a parte do pó, em que o fármaco, a sinvastatina, é incorporado na matriz polimérica do acetato de celulose. Após passar por várias etapas, o produto, pronto para ser ingerido, é colocado em uma cápsula de gelatina dura.

 

Formada em Farmácia pela UEPB, Larissa Pereira afirmou que a ideia da pesquisa é diminuir as dosagens dos pacientes que tem taxas elevadas de colesterol e controlar melhor o uso de medicamentos no tratamento. “O objetivo é que o paciente tome uma única dosagem por dia”, frisou. A pesquisa, fruto da dissertação de mestrado da estudante, ainda está e fase embrionária, sendo que os testes pré-clínicos devem ser feitos em ratos, no Câmpus da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Patos. O trabalho já foi submetido ao Comitê de Ética da UFCG.

 

Integrante do PPGCF da UEPB, o professor João Oshiro destaca o nível das duas pesquisas e a contribuição que futuramente o Laboratório de Farmácia da Instituição pode dar para a ciência. Ele ressalta a riqueza da palma forrageira, onde pode ser extraído um dos cinco excipientes mais utilizados na indústria farmacêutica, que é a celulose. “É um projeto fantástico, de nível internacional, e que vai impactar na economia local, uma vez que a palma é uma espécie nativa que usa pouca água e nós estamos tendo um bom resultado”, destaca.

 

Pesquisas concluídas

 

Pelo menos duas dissertações de mestrado foram concluídas no PPGCF usando a palma forrageira. O trabalho pioneiro, coordenado pelo professor Bolívar Damasceno, foi desenvolvido pelo estudante João Paulo Tavares Malheiro e teve como tema “Síntese, Caracterização e Aplicação do Acetato de Celulose a partir da Palma Forrageira Para Liberação Modificada de Fármacos”.

 

A outra pesquisa, “Micropartícula de Acetato de Celulose Sintetizado a partir da Palma Forrageira para a Obtenção de Sistema de Liberação Controlada do Captopril”, que também usa a palma para fins medicinais, foi desenvolvida pela estudante Alana Rafaela Albuquerque Barros.

 

Na semana passada, a equipe do professor Bolívar teve um artigo sobre a extração da celulose da palma aceito para publicação em uma revista de alto impacto científico. Com o título “Opuntia ficus-indica L. Miller (forage palm) as an Alternative Source of Cellulose for Production of Pharmaceutical Dosage Forms and Biomaterials: Extraction and Characterization” (Opuntia ficus-indica L. Miller (palma forrageira) como fonte alternativa de celulose para produção de formas farmacêuticas de dosagem e biomateriais: extração e caracterização), o artigo foi publicado na revista Polymers.

 
Texto: Severino Lopes
Fotos: Paizinha Lemos


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