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O manejo e a recuperação de áreas degradadas, tem sido uma preocupação de pesquisadores tanto da área de solos como de outras ciências que se dedicam a pesquisar a relação do ser humano com a natureza,  sobretudo nas regiões áridas e semiáridas do mundo.   

 

É com essa preocupação que o Instituto Nacional do Semiárido (INSA), através do Núcleo de Pesquisa em Desertificação e Agroecologia em Terras secas e em articulação com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Campus Areia e a Embrapa Solos, Recife, realizarão no período de 11 a 15 de junho de 2018, o Curso Monolitos de Solos: Uma ferramenta didática para o ensino e pesquisa em manejo e recuperação de áreas degradadas.

 

Processos como, seleção, coleta e preparo (etapas de impregnação, desbaste e cura) de monólitos de solos em tamanho natural, visando à construção de uma coleção científica para o manejo sustentável dos solos serão parte integrantes das atividades do curso.  

 

A metodologia utilizada será a preconizada pelo Museu Internacional do Solo com modificações realizadas pelo Centro de Referência e Informação de Solos do Estado de Pernambuco – UFRPE em parceria com a Embrapa Solos. Por intermédio de apresentação em Powerpoint, e a coleta e o preparo de 3 (três) monólitos típicos da região semiárida do Nordeste do Brasil, presentes na Estação Experimental do INSA.

 

O público alvo serão estudantes e profissionais que atuam na região semiárida, como: Agrônomos, extensionistas, pedólogos, planejadores do uso da terra, professores de solos, executores de manejo de solos, estudiosos de classificação de solos, geógrafos, engenheiros civis e agrícolas, planejadores do uso da terra, executores de mapas pedológicos, todos aqueles que utilizam o solo em suas atividades e que queiram se aprofundar nos estudos de classificação de solos e sobre o comportamento das principais classes de solos do semiárido brasileiro.

 

As inscrições já estão abertas e deverão ser feitas através do contato de Diogo Danilo de Sousa Freitas,  pelo email:  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelo número do celular  (83)  9 9848-1746.  O total de vagas oferecidas é de 25 pessoas.

 

Que são monolitos?

 

Na Pedologia, o termo monólito é utilizado para denominar cortes verticais de solos coletados e preservados com produtos específicos em museus. O monólito de solo representa uma amostra tridimensional e organizada de um corpo muito maior (o Solo), que está sendo exposta com boa parte de suas características preservadas. A partir de uma coleção de monólitos é possível perceber a variação espacial e temporal dos solos ao longo de uma paisagem e propor estratégias de manejo sustentável.

 

Conhecendo mais sobre o Solo!

 

O Solo é a coleção de corpos naturais na superfície da terra, constituída de matéria mineral e orgânica não consolidada na superfície da terra, que serve como meio natural para o crescimento e desenvolvimentos das plantas.

 

Ele resulta da atuação dos fatores de formação: clima, relevo, organismo, material de origem e tempo, e dos processos pedogenéticos: adição, perda, transporte, transformação e sedimentação, representando um contínuo na paisagem, apenas alterado por afloramentos rochosos, águas espessas e geleiras. Esse contínuo na paisagem, apresenta uma enorme quantidade de volumes que se diferenciam entre si quanto a sua organização, constituição e comportamento. Através de levantamentos de solos, tais como mapas e boletins técnicos, os pedólogos informam sobre a distribuição espacial desses volumes na paisagem e esses documentos constituem peças importantes para todos aqueles que utilizam a terra.

 

Os solos apresentados nesses mapas são denominados segundo alguns dos sistemas de classificação existentes, os quais são estruturados com base em atributos e horizontes diagnósticos, que constituem as bases desses sistemas de classificação. Sendo impraticável ao homem estudar esse continuo como um todo, ele o faz por meio de observações pontuais acuradamente selecionadas em trincheiras ou barrancos de estradas. Esses cortes de estrada ou trincheiras constituem a face de um volume natural real. A essa seção vertical, englobando a sucessão de horizontes ou camadas, desde o manto superficial de resíduos orgânicos até o material mineral subjacente pouco ou nada transformado dá-se o nome de perfil do solo.

 

No conceito “Perfil do Solo” é abrigada a tridimensionalidade do solo e estabelecido um volume mínimo de observações que permitem determinar a expressão da variabilidade lateral e vertical. Através de atributos morfológicos, mineralógicos, químicos e físicos, separa-se os horizontes ou camadas. A identificação dos horizontes permite então agrupar os solos em classes homogêneas, que se diferenciam entre si pela sua organização (presença e sequência dos horizontes e camadas), configuração (espessura dos horizontes e do grau de expressão dos atributos morfológicos em cada seção), constituição qualitativa e quantitativa (teor de C, SB, CTC, pH, porosidade, retenção água, textura, etc).

 

Esse conjunto de propriedades confere ao solo um determinado comportamento agrícola e não agrícola, que quando mal compreendidos e utilizados provocam a sua insustentabilidade, ou seja, a perda de sua capacidade produtiva. Em geral, a perda da capacidade produtiva do solo quase sempre começa com o desmatamento e a substituição da vegetação nativa por outra cultivada de ciclo e porte diferente. O descobrimento do solo favorece o processo de erosão.

 

O cultivo contínuo, com a retirada dos produtos ano após ano e sem reposição dos nutrientes leva a perda da fertilidade. Nas áreas irrigadas, o uso de água com teores elevados de saís ou mau manejo dos ciclos de molhamento e a ausência de drenagem geram a salinização. O uso de equipamentos pesados pode dar lugar à compactação e resíduos de processos agroindústrias, lodo, esgotos, mineração, agricultura empresarial causam a contaminação do solo por metais pesados. Esses processos de degradação podem ser avaliados através de indicadores de qualidade do solo, integrando propriedades e processos físicos, químicos e biológicos do solo, que sejam sensíveis a variações de manejo e clima.

 

Tais indicadores podem então ser agrupados em “Efêmeros”, ou seja, aqueles que oscilam em curto espaço de tempo (Tº, BM), “Intermediários” como aqueles que são alteráveis após alguns anos de manejo (Ds, estabilidade de agregados, COT) e “Permanentes” atributos inerentes ao tipo de solo e que servem para classificá-lo. Esse conjunto de indicadores podem então, ser melhor aproveitados através do uso das técnicas de geoprocessamento e a modelagem, que imprimem uma riqueza de análises, processamento, e visualização espacial e temporal das informações de forma simultânea, além de simulações inimagináveis, que facilitam a construção de cenários sobre o uso atual e futuro da qualidade do solo.   

 

Texto: Aldrin M. Perez-Marin e Alysson Gomes de Lima
Núcleo de Pesquisa em Desertificação e Agroecologia em Terras Secas
Edição: Rodeildo Clemente (Ascom do Insa)


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